21 DE JUNHO, ÀS 15:00, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SESIMBRA: APRESENTAÇÃO DE «A TERRA PROMETIDA», I VOLUME DAS OBRAS COMPLETAS DE ANTÓNIO TELMO

31-03-2014 11:26

“ESTREMOZ

PÁSCOA de 1999

                                                Meu estimado leitor

Descobri, aqui, em Estremoz, aquilo a que, entre nós, poderei chamar uma Loja de São João do século XVIII.

É uma “teoria” de azulejos formando paredes e abóbada de uma grande sala, hoje utilizada como lugar de leitura e de baile da Sociedade Recreativa Republicana Estremocense. O que é estranho é que estes azulejos tenham estado tapados, numa hipótese durante um século, noutra durante dois, por uma espessa camada de caliça e que só agora, há cerca de três anos, tenham sido, por um acaso, postos a nu. A primeira hipótese é a de que tenham sido os republicanos a proceder à sua cobertura, pois essa gente não gosta de coisas religiosas. Segundo Túlio Espanca, que não podia saber dos azulejos, a referida sala constituiria o primeiro piso de uma igreja com dois (não percebo muito de igrejas para saber o que é uma de dois pisos, separados por um tecto) anexa a um antigo convento, no século XVIII esvaziado para receber a Misericórdia, trasladada de outra casa noutro lugar da cidade, onde terá sido fundada no século XVI. A segunda hipótese é a de que tenham sido os “próprios” que a utilizavam a esconder os azulejos, durante as lutas liberais, dos absolutistas que durante alguns anos dominaram a cidade, onde exerceram a carnificina que Sampaio Bruno considera o feito mais horroroso da nossa história. De passagem, devo dizer-lhe que Sampaio Bruno com Guerra Junqueiro, e não Afonso Costa ou Bernardino Machado, figuram nos retratos que ornamentam o gabinete da Direcção da Sociedade.

A segunda hipótese é a que convém se, de facto, estamos perante uma Loja de São João. Não pretendo com isto valorizar a Maçonaria, importada, como sabemos, do estrangeiro durante o século XVIII, mas marcar a existência em Portugal, nessa data, de qualquer coisa que seria a Maçonaria entre nós e que viria de muito antes. Essa qualquer coisa liga-se com as Misericórdias. D. Leonor, a sua fundadora, era irmã de D. Manuel I e pertencia àquele grupo que tentou destituir D. João II. Era um grupo, o do assassinado Duque de Viseu, também irmão da rainha, onde mandava espiritualmente Isaac Abarnabel, o mestre de Cabala de D. Afonso V. É nesta linha que devemos procurar a tradição oculta portuguesa (Templários, Casa de Avis, etc.). Naquilo a que eu chamo uma Loja de São João está de facto simbolicamente dada a Nossa Coisa. Importa mostrar que se trata realmente disso.”

António Telmo, in A Terra Prometida 

 

“«A terra em que vivemos é apenas um laboratório; no athanor da humanidade separa-se o subtil do denso. Esta não é a terra definitiva (…) Tudo quanto de bom e de verdadeiro se pensou e imaginou, se pensa e imagina, é o subtil que se separa do denso e vai formar a Terra Prometida.»

Eis a origem do título desta recolha de dispersos e inéditos, que nos aparece logo no texto de abertura. António Telmo chama-nos a atenção para a nossa situação: esperamos por uma terra prometida, sempre prometida mas nunca verdadeiramente alcançada, escapando-nos ao desejo da posse. Desejamo-la mas nunca é realmente nossa. Na verdade, e devíamos já saber isso, toda a terra tem um único proprietário, não humano: Deus, o seu e nosso Criador. Nós, humanos, somos apenas os usufrutuários dessa terra, na qual estamos somente de passagem — ainda que a nossa relação com a terra pareça quase íntima, como é visível no texto original bíblico (mas só nele, não na tradução): Adam, humano, Adamah, terra.”

António Carlos Carvalho, in Prefácio 

 

21 de Junho, às 15:00, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra. É um dos momentos mais significativos das TARDES TÉLMICAS 2014. Referimo-nos à sessão de apresentação de A Terra Prometida, I volume das Obras Completas de António Telmo, empresa a que o projecto António Telmo. Vida e Obra assegura o apoio científico. A sessão, que contará com a presença de António Carlos Carvalho e Pedro Martins, que integram a equipa de coordenação editorial das Obras Completas, será completada com a realização de uma tertúlia sobre a I Guerra Mundial, de cuja eclosão se assinala este ano o primeiro centenário.

Organizada por Pedro Martins e Renato Epifânio e prefaciada por António Carlos Carvalho, esta recolha de dispersos e inéditos do filósofo da razão poética sairá a lume com a chancela da Zéfiro, casa editora a quem foi confiada a publicação da télmica opera omnia. É do prefácio de António Carvalho o excerto dado em epígrafe ao leitor. 

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