3 DE MAIO, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SESIMBRA: MOISÉS ESPÍRITO SANTO APRESENTA «O EIXO E A ÁRVORE: NOTAS SOBRE A SACRALIZAÇÃO DO TERRITÓRIO ARRÁBIDO», DE RUY VENTURA

25-01-2014 22:59

Está já confirmada a presença de Moisés Espírito Santo na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra, no próximo dia 3 de Maio, naquela que será a primeira das Tardes Télmicas 2014, para apresentar O Eixo e a Árvore: notas sobre a sacralização do território arrábido, título do caderno ensaístico que Ruy Ventura, membro do projecto António Telmo. Vida e Obra, em breve verá publicado com a chancela da Apenas Livros. Trata-se de um ensaio inédito sobre o carácter sagrado da região da Arrábida, em que o autor, cruzando, na senda do referido Moisés Espírito Santo e de outros investigadores, o estudo da toponímia, da geografia e da simbólica religiosa, nos oferece a demonstração cabal da centralidade espiritual do vale de Sesimbra (e quem diz o vale terá depois de dizer a vila), ponto de cruzamento de dois eixos: um, horizontal, ligando as duas ermidas da Memória, a do Espichel e a da Arrábida, e que encontra naquele vale o seu centro geométrico, pela marcação rigorosamente observável na cartografia; outro ou outros ramificando-se verticalmente por uma série de templos cujos oragos nos oferecem significativa consagração simbólica do território. A esta determinação geográfica acresce um dado etnológico que o autor pôde colher, no ano transacto, na Procissão do Senhor das Chagas, sorte de aristotélico motor imóvel a que, do Senhor do Bonfim, de Setúbal, à Senhora do Cabo, passando pela Senhora da Atalaia, vêm prestar vassalagem espiritual as confrarias da região. Como se a cruz do Redentor, cuja Invenção a grande festa de Sesimbra, com a sua procissão magnífica (possivelmente a maior em Portugal a Sul do Tejo), exalta, replicasse simbolicamente o encontro territorial que Ruy Ventura, espantosamente, nos desoculta agora, sancionando as sucessivas intuições de um Rafael Monteiro, de um António Telmo ou de um Agostinho da Silva dando Sesimbra como o axis mundi do sacro campo arrábido. Entre muitos outros méritos, o ensaio supreendente de Ruy Ventura oferece asserções insofismáveis em sua rigorosa positividade. Agostinho, que tinha em Sesimbra a morada segunda, sabia por certo mais do que dizia quando afirmou ser a Piscosa o lugar onde “devem surgir os primeiros núcleos em que o poder de criação que está oculto em Portugal desde o século XV desperte, ganhe forças e ajude a tirar Europa e América dos becos em que se meteram, os de se julgarem superiores, e ajude a tirar pretos, amarelos e vermelhos dos outros becos, os de se julgarem inferiores, em que a ciência volte a ser humana e de todos, como nas caravelas o foi”. Com o ensaio de Ruy Ventura ficamos, por certo, a compreender melhor o motivo de uma tal – e tão séria – afirmação. Não por acaso, e como já foi anunciado, a apresentação deste livro de Ventura será antecedida de uma outra, a cargo do escritor e filósofo Miguel Real: a do livro Agostinho da Silva em Sesimbra, de Pedro Martins e António Reis Marques. Não por acaso também, sê-lo-á no dia 3 de Maio, dia da festa da Invenção da Santa Cruz e véspera da Procissão das Chagas...

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