DOS LIVROS. 07

22-04-2014 10:58

De um caderno de apontamentos. 02


Enquanto preparava a sua tese de doutoramento sobre Teixeira de Pascoaes, António Cândido Franco sonhou 97 vezes com o poeta. 95 sonhos foram provocados; o primeiro e o último espontâneos. Antes de adormecer deliberava sonhar com o poeta e o sonho acontecia. Mas o que é mais sensacional ainda é que tinha, enquanto dormia, plena consciência de que estava sonhando. O relato dos sonhos, feito num estilo estupendo, constitui a segunda metade de A Arte de Sonhar; a primeira metade vai de Freud até Novalis, por André Breton e Jean Paul, à procura da melhor teoria sobre o sonho que melhor funde a prática da segunda parte. Sente-se, porém, que por este detrás de tudo, poderá estar Carlos Castaneda. O autor não o diz, como não diz que, depois de certos sonhos com Pascoaes, acordava em pânico. Disse-o mais tarde, quando da apresentação do livro numa livraria em Évora, O Som das Letras.

As palavras de Carlos Castaneda que digo poderem estar por detrás da aventura onírica de António Cândido Franco são as seguintes:

 

«Vou ensinar-te aqui mesmo o primeiro passo para o poder. – disse D. Juan, como se me estivesse ditando uma carta – Vou ensinar-te como tornar lógicos os sonhos.                           

Perguntou-me, olhando-me nos olhos, se entendia o que ele queria dizer. Não o tinha compreendido. Soava-me a coisa contraditória. Explicou que tornar os sonhos lógicos significava ter um domínio conciso e pragmático da situação geral de um sonho, comparável ao domínio que uma pessoa tem dos seus próprios actos, decidindo isto ou aquilo.

– Tens de começar por uma coisa muito simples. Esta noite, nos teus sonhos, deves olhar para as tuas mãos.»

 

António Telmo

 

(Publicado em Congeminações de um Neopitagórico, 2006/2009)

 

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