INÉDITOS. 02

29-01-2014 11:45

Não Não sabemos ao certo onde terá tido lugar a conversa entre Rafael Monteiro e Agostinho da Silva, cujo excerto brevíssimo se me deparou agora, guardado num dos proverbiais cadernos de apontamentos de António Telmo. Bem oportuna se revelou, porém, a descoberta, levando por destino certo o capítulo sétimo de Agostinho da Silva em Sesimbra, inteiramente dedicado à extraordinária relação de amizade que Rafael e Agostinho puderam manter durante mais de duas décadas. Verdadeiramente, não sabemos sequer se António Telmo teria querido escrever mais do que ali deixou escrito, e assim, porventura, interrompido. Não tem mal. À conversa, podemos imaginá-la travada na casa veneranda de Rafael, no Castelo de Sesimbra, numa daquelas gloriosas tardes de sábado em que por lá também apareciam António Telmo e António Reis Marques para discretearem sobre Deus, a Pátria e o Universo. E quanto à escrita, é outrossim bem possível que Telmo nada mais tivesse pretendido acrescentar à incisa concisão do fulgor que, lapidar, ressuma das parcas linhas manuscritas. O leitor percebe logo porquê…

  

Pedro Martins

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De um caderno de apontamentos: excerto de um diálogo entre Rafael Monteiro e Agostinho da Silva

 

Rafael – Sabe o senhor? Eu em geral tenho o dinheiro para o próprio dia e às vezes para o dia seguinte.

 

A. Silva – Isso é bom. Comigo acontece uma coisa semelhante. Em geral, só tenho dinheiro para a véspera.

 

António Telmo

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