INÉDITOS. 43

15-02-2015 20:32

Carta a um mestre maçon sobre o mundo subtil[1]

Como pode ver pelas primeiras linhas desta carta, retomo hoje o que comecei há uns quinze dias.

Claro que não andamos à procura de fenómenos extraordinários como os espiritistas, por exemplo. Todavia, quando eles se dão, não os recebemos como se nada fossem, como se nada acrescentassem.

Calcule que, uma ou duas semanas depois do que lhe contei, eu, e mais dois, estávamos à espera no Café Alentejano do Pedro Martins que vinha de Sesimbra para estar comigo e se encontrar ali pelas cinco e meia da tarde. Eram sete e ainda não tinha chegado. De repente entrou no café um homem estranhamente parecido com ele, assim uma espécie de grande ave caminhando de asas abertas, o mesmo nariz, o mesmo ar inteligente, etc., etc. Os três coincidimos, quando chamei para isso a atenção, em achá-lo em tudo semelhante ao Pedro Martins. Eu disse: Ele está a chegar, não tarda dois ou três minutos. Não esperámos tanto. Tudo se seguiu como se nada tivesse acontecido. Ficaram indiferentes.    

O que é enigmático é que, passados alguns dias sobre acontecimentos do tipo dos dois que venho de contar, eu também é como se eles não se tivessem dado e cheguei até a duvidar, tão pálida se tornou a sua imagem, se os vivemos de facto.

São fenómenos do mundo subtil. Nós vivemos no mundo grosseiro. Passamos daquele para este, onde eles nos aparecem revestidos da mesma banalidade dos fenómenos físicos. Será isto?

Eu vejo, por exemplo, no relato que escrevi na página anterior a mesma banalidade dos acontecimentos habituais. Uma explosão interior! Interior, mas uma explosão, banal como todas as explosões. Não, não foi e foi isso. É indescritível. Rezar, já no outro mundo e com a certeza de estar lá. Mas foi ao juntar as mãos em oração que acordei. Eu rezo sempre quando estou no outro lado de mim. Que sensação deverá corresponder no mundo subtil à nossa situação de mortos no ritual da elevação? Haverá alguma conexão íntima entre aquilo a que assisti na véspera e o que vivi enquanto dormia a sesta?

Meu caro Irmão, ajude-me a compreender tudo isto. Dê-me também notícias suas. Um grande abraço do

 

António Telmo



[1] Título da responsabilidade do editor.

 

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